Fazer compras sem cartão de crédito tem se tornado uma realidade inimaginável e cada vez mais ultrapassada no Brasil - só em 2015, o mercado de adquirência nacional movimentou R$1,08 trilhão em transações, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Foram R$ 676 bilhões em compras com cartões de crédito e R$ 400 bilhões no débito - um aumento de 8% em relação a 2014, considerando as duas categorias.


Se Rede e Cielo monopolizavam o mercado até algum tempo atrás, esse cenário passou por mudanças após regulamentação feita pelo Banco Central; permitindo a entrada de concorrentes como GetNet, Elavon e Stone. A utilização crescente de cartões de crédito e a evolução do e-commerce tornaram possível a diversidade de players no âmbito dos meios de pagamento, transformando esse setor em um ramo ainda mais complexo. 

Fonte: Flickr (akem2013)

Fonte: Flickr (akem2013) 


Ainda são poucos os varejistas que entendem como os meios de pagamento funcionam: não se tem conhecimento sobre o fluxo seguido pela informação e pelo dinheiro, a partir do momento em que o cartão de crédito é inserido na máquina POS. Ou, no caso de um e-commerce, a partir do momento em que o comprador insere os dados da compra no site do estabelecimento.


Existem algumas diferenças entre transações realizadas no mundo físico e no mundo online - os players envolvidos e o papel desempenhado por cada um são apenas algumas delas. No mundo físico, os integrantes desse complexo sistema são representados por:


Adquirente/Credenciador: quando o cartão de crédito é inserido na máquina POS, ela opera como um gateway de pagamento do mundo físico, transportando as informações da transação para o adquirente. De lá, os dados seguem para a bandeira e para o banco emissor. O adquirente também oferece estrutura (máquinas POS) e cadastra estabelecimentos comerciais, liquidando transações financeiras em D+30 com os varejistas.


Bandeira: conecta os sistemas de adquirentes e bancos emissores - é chamada de “instituidora do arranjo”, pois regulamenta as transações realizadas entre as duas partes. Movimenta o mercado de adquirência por meio do estímulo ao uso de cartões de crédito. 


Banco emissor: é responsável pela emissão de cartões de crédito, bem como pela cessão de crédito ao portador do cartão. Ao receber os dados de uma compra, o banco faz a autorização (reserva o valor na conta do comprador final) e captura (realiza a cobrança) a transação - caso seja aprovada, ele faz a liquidação com o adquirente em D+27.fluxo_mundofisico.pngA partir do momento em que o cartão de crédito é inserido na máquina POS, ela opera como um gateway do mundo físico e transporta as informações ao adquirente - de lá, os dados seguem para a bandeira, e da bandeira para o banco emissor. O banco emissor verifica se há saldo suficiente na conta do comprador (autorização) e aprova ou nega a transação - caso seja aprovada, a informação percorre o caminho inverso e ocorre a cobrança do valor (captura). Em compras à vista, o banco emissor liquida a transação com o adquirente em D+27 - este, por sua vez, liquida com o varejista em D+30. Caso a compra tenha sido efetuada de forma parcelada, o adquirente liquida com o varejista também de forma parcelada, em D+30, D+60, D+90.

 


Nas transações do mundo online, os principais players envolvidos no fluxo de dinheiro e informação são:


Subadquirente/Intermediador: contratado como uma alternativa aos adquirentes e realizando as mesmas funções,  possui baixo custo de implementação e fácil integração. Atuando como um serviço terceirizado, é ele que opera os fluxos de informação e de dinheiro, ficando responsável por transportar os dados da transação ao adquirente e liquidar os recebíveis junto aos varejistas.


Apesar das facilidades de preço e integração, existem alguns pontos negativos em relação ao subadquirente: na maioria dos casos, ele antecipa as vendas para o varejista de forma compulsória, em até 15 dias  - sendo assim, o estabelecimento comercial paga caro por um recebível que não é necessário e ainda corre o risco de ter seu fluxo de caixa desestabilizado.


Outro ponto negativo é a transmissão de informações:  já que é o subadquirente que está cadastrado junto ao adquirente, o banco não visualiza os dados do varejista e barra transações mais facilmente. A falta de transparência também facilita o aumento no número de chargebacks, pois o nome na nota fiscal é do subadquirente e não da loja - dessa forma, há mais chances de o comprador final cancelar uma compra, por não reconhecê-la.


Gateway de pagamento: interface que transporta informações da transação para o adquirente - por ser apenas um canal de comunicação, consegue transmitir de forma 100% transparente os dados dos varejistas. No caso da implementação de um gateway, o adquirente ainda é responsável pelo fluxo do dinheiro - comparado a outros meios de pagamento, o gateway é o que possui maior custo de implementação, pois ainda requer a contratação de antifraude e conciliador de recebíveis.



Antifraude: no mundo online, não existem os mesmos mecanismos de segurança disponíveis em uma transação presencial, tais como chip do cartão de crédito e presença física do comprador. O antifraude analisa o nível de risco da compra via internet - utilizando banco de dados próprio, ele checa informações como endereço de IP  e localização geográfica do comprador. A taxa de serviço é cobrada por cada operação - sendo assim, aconselha-se a passar os dados pelo antifraude somente após a aprovação do banco emissor, para que não haja risco de cobrança por uma compra não aprovada.fluxo_ecommerce.png

1. Em uma transação online com a presença do subadquirente, é ele quem transmite as informações para o adquirente - de onde seguem seu trajeto normal para a bandeira e o banco emissor. O banco emissor verifica se há saldo suficiente na conta do comprador (autorização) e aprova ou nega a transação - caso seja aprovada, a informação percorre o caminho inverso e ocorre a cobrança do valor (captura). Na maioria das vezes, o subadquirente antecipa as vendas a crédito compulsoriamente para o lojista em até D+15,  sendo ressarcido posteriormente pela instituição financeira.

2.Aqui, o fluxo ocorre da mesma forma quando o adquirente opera no mundo físico.

3. O gateway é uma interface que transporta as informações da transação do varejista para o adquirente - ele opera apenas como um canal de comunicação, não sendo responsável pelo fluxo do dinheiro. Quando as informações passam pelo gateway, elas seguem normalmente para o adquirente, bandeira e banco emissor. O banco emissor verifica se há saldo suficiente na conta do comprador e autoriza ou nega a transação - caso seja autorizada, a informação percorre o caminho inverso e a compra é efetivada. Em situação de compra à vista, o banco emissor liquida a transação com o adquirente em D+27 - este, por sua vez, liquida com o varejista em D+30. Caso a compra tenha sido efetuada de forma parcelada, o adquirente liquida com o varejista também de forma parcelada, em D+30, D+60, D+90...



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Karina Menezes
Graduada em jornalismo pela UFPA, foi trainee do jornal O Estado de S. Paulo. Atualmente, é Head de Conteúdo do Pagar.me.
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